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A
humildade é e sempre será o melhor remédio.
Por Telma Maria Santos
O meu curso primário, numa
escola pública estadual de Sergipe, foi marcado por
livros de conteúdo lúdico: as várias histórias que
pulavam das páginas mágicas eram um convite para a
imaginação de qualquer criança mais atenta às
entrelinhas das mensagens, pois é fato que, muitas
vezes, o que está subentendido é a “moral da história”.
Em muitas delas viajei, ao lado da minha avó, sem sair
do “batente” da nossa casa.
Uma dessas lições marcantes tinha dois personagens
principais e toda a selva no papel de coadjuvante. Era
um leão que insistia em perguntar aos demais moradores
da floresta quem era o “rei da selva”. Obviamente que
ele assim se julgava e, vaidoso, esnobava os demais animais, dizendo-se
o mais ágil e veloz e coisas do gênero.
Mas havia um animal, não tão ágil, não tão veloz, nem
tão arrogante. Discreto e tranqüilo, como todo aquele
que tem segurança íntima da própria força. Com um
movimento, o elefante deitou por terra toda a empáfia do
felino: sem peripécias e também sem cerimônia, pegou o
Phantera leo pela cauda, fê-lo rodar várias
vezes, arremessando-o a uma distância suficiente para
vê-lo cair estatelado. Humilhação total para o animal de
porte nobre que se achava o dono da selva.
A primeira lição de humildade, eu aprendi com esta
história, nas páginas do livro cujo nome e autor não
lembro. Pena que nem todos tenham acesso, ainda na
meninice, a histórias assim. E mais penalizada fico
daqueles que deixaram passar em branco a profunda lição
que aí está retratada.
É que o ego tem mecanismos bem eficazes de fazer com que
somente vejamos, ouçamos e assimilemos o que lhe convém.
Por isso precisamos vigiá-lo, para não cairmos no
ridículo que o supostamente poderoso leão caiu.
Mas qual o remédio para que se evitem quedas tão
desastrosas e para que se possa levantar de outros
tombos, às vezes, inevitáveis? Ora, um rápido olhar para
algumas palavras de filósofos e profetas e teremos a
profilaxia poderosa, o antídoto potente, a vacina
eficaz: a humildade.
Sócrates, dentre todos os filósofos, através de uma
frase, pontuou este remédio para a humanidade orgulhosa
e frágil, melhor dizendo, frágil e orgulhosa, pois é
fato que o orgulho provém de uma profunda fragilidade de
mente, de alma e de espírito: “Só sei que nada sei”. Um
marco na filosofia, porque remete todos para uma
necessária autocrítica.
E para não dizer que tal provocação era insuficiente
para um mergulho no auto-aprimoramento, há 2007 anos A
mais Perfeita de todas as criaturas que já pisou o solo
deste planeta conclamou a humanidade de todas as épocas,
através das palavras que ainda hoje ecoam daquela
montanha de suave declive e, principalmente, através das
atitudes, ao sublime exercício da humildade.
E aí, quem tem olhos para ver? Quem tem ouvidos para
ouvir? Quem continuará doente e refém de si mesmo? É
uma escolha. Porém não é demais lembrar que ao livre
arbítrio que se tem de semear o que se quer, corresponde
o fato de a colheita ser vinculada. Em outras palavras e
como diziam e dizem nossas avós: “colhe-se o que se
planta”.
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