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Esmese
e Esmafe5 promovem reunião de trabalho para discutir
‘Repercussão Geral’
A
Escola Superior da Magistratura de Sergipe (Esmese),
dirigida pelo desembargador Roberto Eugenio da Fonseca
Porto, e o Núcleo de Sergipe da Escola da Magistratura
Federal da 5ª Região (Esmafe5), dirigido pelo juiz federal
Ronivon de Aragão, promoveram, dia 21 de outubro de 2008,
uma reunião de trabalho para debater o tema ‘Repercussão
Geral’.
Como
expositores, participaram a juíza federal e auxiliar da
Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), Taís
Schilling Ferraz, e o secretário-geral também da Presidência
do STF, Luciano Felício Fuck. O evento contou com a presença
de juízes federais, juízes de direito, advogados da União,
procuradores federais e de assessores de desembargadores e
de juízes da Justiça sergipana.
De
acordo com Taís Ferraz, a reunião de trabalho faz parte de
um esforço de gestão do presidente do STF, Ministro Gilmar
Ferreira Mendes, e vem sendo realizada em todos os estados
brasileiros nos Tribunais de Justiça, de preferência. O
objetivo é reunir a Justiça Estadual com a Federal para
tratar dos procedimentos relacionados aos juízos de
admissibilidade dos recursos extraordinários e agravos de
instrumento, seara que sofreu diversas mudanças em razão da
Emenda Constitucional nº 45, a partir da entrada em vigor da
Repercussão Geral.
“Com a
emenda, mudou também todo o fluxo do recurso extraordinário
e nós sabemos que está havendo mudanças também nos
tribunais, mudanças de realização de atos que até então não
eram atribuição dos tribunais, a exemplo de organização e
sobrestamento de processos, escolha dos representativos da
controvérsia para encaminhar para o STF, depois a aplicação
dos julgamentos do STF àqueles processos que ficaram
sobrestados”, comentou.
Segundo
a magistrada, o debate também tem a finalidade de colher
sugestões e soluções que estão sendo criadas no âmbito dos
estados e trazer outras soluções que já são vislumbradas
pelo STF no tratamento daquelas questões.
 
Taís Schilling Ferraz e Luciano Felício Fuck
Racionalização do Judiciário
O
secretário-geral do STF, Luciano Fuck, enfatizou que a
Repercussão Geral não veio somente para racionalizar o STF,
mas todo o Poder Judiciário, já que há reflexo em todo o
âmbito da Justiça brasileira. Segundo ele, desde o início,
quando a reforma da EC 45 foi aprovada, havia uma
preocupação muito grande sobre a racionalização dos
procedimentos nos tribunais superiores.
“Hoje,
por exemplo, há cerca de 45 milhões de processos em primeira
instância em todo o país, seja na Justiça comum, do
Trabalho, Federal, Militar etc. Potencialmente, cada um
desses processos pode chegar ao STF, o que representaria
completa inviabilidade do sistema. Então, pensou-se que, ao
invés de obrigar o tribunal julgar cada uma dessas questões,
deveria se criar um sistema objetivo em que o STF se
pronunciasse uma única vez e que esta decisão tivesse um
efeito multiplicador abrangendo demais processos com a mesma
fundamentação”, explicou.
De
acordo com ele, no STF, nos primeiros nove meses de 2007 (de
janeiro a setembro), haviam sido distribuídos 94 mil
processos. No mesmo período de 2008, em virtude dos estudos
da Repercussão Geral e da Súmula Vinculante, foram
distribuídos 56 mil processos, ou seja, uma redução de
aproximadamente 41% só no primeiro ano. “E isso porque houve
uma quantidade limitada de Repercussão Geral que foi
apreciada. Atualmente, o tribunal já considerou, de
Repercussão Geral, 99 questões constitucionais e afastou 29
casos. Dessas 99, 17 estão decididas, pacificadas e já estão
tendo efeito nos demais tribunais”, disse.
Mudanças
De
acordo com os expositores, dentre as principais mudanças
advindas com a EC nº 45, está a necessidade do sobrestamento
dos recursos extraordinários múltiplos que tratam de
matérias iguais e que os tribunais doravante escolhem os que
são representativos de uma determinada questão
constitucional, encaminham para o STF, onde haverá a escolha
de um desses processos para examinar se tem repercussão
geral e, reconhecido que tem, será julgado o mérito.
Após o
julgamento de mérito pelo STF, os tribunais vão aplicar este
julgamento e todos os julgamentos que ficaram sobrestados.
Esta foi a principal modificação e isto está provocando nos
tribunais mudança de procedimento, inclusive reestruturação
de setores para ser capaz de dar conta dessa nova carga de
trabalho e do fluxo de funcionamento de processos perante os
órgãos que são responsáveis pelos juízos de admissibilidade
dos tribunais superiores.
Fonte: Esmese
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